O Natal de Herodes

É sempre saudável procurar uma aplicação pessoal refletindo no que foi o Natal para José, Maria, pastores, astrólogos, e os demais daquele momento único para a humanidade.

Mas eu penso que podemos ir além da personalização das experiências das personagens do presépio e do reconhecimento da nossa contaminação consumista projetada no Papai Noel que é uma espécie de vilão, um Judas que é malhado por alguns radicais numa espécie de antecipação do sábado da paixão.

Entre tantas figuras emblemáticas do Natal, Herodes e o que ele representa não podem ser desconsiderados de modo algum.

Eu creio que o Natal é sobremodo perturbador para o Herodes que há em nós.

Não são poucos os que buscam um jeito herodiano de ser estudante, ser profissional, ser empresa e fazer negócios.

Quem não gostaria de ser lembrado como “O Grande”, “O Cara” em sua trajetória acadêmica, profissional e empresarial?

Bem articulado e relacionado com os poderosos de Roma, Herodes usou e se deixou usar buscando os seus interesses e deixando a sua marca na história com um case de gestão e administração que pôde ser confirmado, inclusive, pelos seus monumentos magníficos e nas obras portentosas que justificaram muitos dos seus títulos e homenagens.

O seu estilo de governar não diferia da maioria dos poderosos de sua época, para ser “O Grande” e continuar sendo ”O Cara” ele não hesitou em matar a esposa, os três filhos, a sogra, o cunhado, o tio, amigos e os meninos de Belém.

Todos sabem que são poucas as histórias de sucesso profissional e empresarial capazes de escapar dessa triste comparação.

Não são poucas as esposas, filhos, parentes e amigos que são assassinados por causa da ascensão e manutenção de nossas carreiras profissionais.

Há quem diga que não há como ser exitoso profissionalmente sem se perder ou perder alguém pelo caminho. Caso isso seja verdadeiro, resta-nos avaliar com atenção se tal empreitada vale realmente à pena ou se há alguma possibilidade de diminuir o numero de vítimas e mutilações.

Será que as conquistas dos Herodes e seus discípulos poderiam acontecer sem tanta mortandade?

Acho que não, quem tem vocação para Herodes nunca ficará livre do assassinar para ser “O Cara”!

Pessoas que usam de quaisquer expedientes na escalada rumo ao sucesso podem chegar a conseqüências inimagináveis para se manter no topo.

Por isso que a perturbação, sim, perturbação foi o que a visita dos Astrólogos do Oriente trouxe a Herodes, sua corte e toda a Jerusalém.

Eu imagino a justificável inquietação que dominou o coração do Rei Herodes.

Após anos de investimento na sua escalada de poder e depois de conseguir o respaldo do Senado Romano, agora ele está no topo, no ponto mais alto de suas aspirações.

E agora, esses homens guiados por uma estrela trazem uma mensagem que pode comprometer todo o planejamento estratégico de sua consolidação no poder.

Não há espaço para outro Rei, Líder e Pastor do Povo, a vaga de Messias já está ocupada.

Mas esse assunto terminou ressuscitando as recorrentes discussões proféticas sobre a vinda do tão esperado Messias.

Diante disso, Herodes conduz pessoalmente uma consulta aprofundada sobre essas profecias e envida firmes ações visando a eliminação do novo Rei, Pastor e Líder.

Esse estrategista neófobo não difere de muitos maquiavélicos que laboram implacavelmente pela eliminação de qualquer liderança nova que possa ocupar o seu espaço, status e posição.

Eu realmente acredito que todos nós temos uma versão revista e atualizada de Herodes dentro de nós.

Henri Nouwen em seu livro a Volta do Filho Pródigo diz: “Eu tenho tanto medo de não ser amado, de ser culpado, posto de lado, superado, ignorado, perseguido e morto, que estou constantemente criando estratégias para me defender e conseqüentemente garantir o amor que acho que preciso e mereço.”

A simples possibilidade de um novo Rei é inquietante demais para aqueles que vivem encastelados e soberanos em seu reinozinhos.

Como não ficar preocupado diante da possibilidade de deixar de ser amado, admirado, aplaudido e ovacionado.

É perturbador saber que eu poderei ser deixado de lado e superado, afinal, coroas não foram feitas para ser compartilhadas.

O berço do novo e pequenino Rei faz sombra no trono de Herodes, o Grande.

Definitivamente, o espírito de Herodes e o Espírito de Jesus não podem ocupar o mesmo espaço.

Há uma conspiração divinal muito mais poderosa que alerta os astrólogos, põem em ação um plano de fuga em prol da vida e aguarda pacientemente a morte de todos os que atentam contra a vida.

Eu desejo que a simplicidade do Natal exorcize o espírito de Herodes que há em mim e que as minhas estratégias de defesas e ataques que buscam garantir o que eu acho que preciso e mereço sejam desconstruídas e desmobilizadas.

Eu desejo por fim que o menino Rei cresça em meu coração e vida e que eu me alegre em ser a sua pequena Nazaré.

Graça, Paz e todo o Bem de Jesus o Nazareno sejam sobre todos vocês e os seus amados.

Feliz Natal e um 2011 com mais Jesus e menos Herodes!

Por Levi Araújo

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O que aconteceria se os reis magos fossem mulheres?

De Jarbas Aragão no Pavablog

O Natal não é um só

O Natal não é um só: um é o Natal do egoísmo e da tirania, outro é o Natal da abnegação e da diaconia; um é o Natal do ódio e do ressentimento, outro é o Natal do perdão e da reconciliação; um é o Natal da inveja e da competição, outro é o Natal da partilha e da comunhão; um é o Natal da mansão, outro é o Natal do casebre; um é o Natal do prazer e do amor, outro é o Natal do abuso e da infidelidade; um é o Natal no templo com orquestra e coral, outro é o Natal das prisões e dos hospitais; um é o Natal do shopping e do papai noel, outro é o Natal do presépio e do menino Jesus.

O Natal não é um só: um é o Natal de José, outro é o Natal de Maria; um é o Natal de Herodes, outro é o Natal de Simeão; um é o Natal dos reis magos, outro é o Natal dos pastores no campo; um é o Natal do anjo mensageiro, outro é o Natal dos anjos que cantam no céu; um é o Natal do menino Jesus, outro é o Natal do pai dele.

O Natal de José é o instante sublime quando toma no colo o Messias. A partir daquela primeira noite jamais conseguiria dormir em paz. Sob seus olhos e sua responsabilidade cresceria aquele de quem falaram a Lei e os profetas. Era de José a tarefa de ensinar ao menino a respeito de sua verdadeira identidade. Enquanto recitava o profeta Isaías: “Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, e a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins”, dizia ao garoto, “esse aí é você, meu filho”.

O Natal de Maria é um canto de redenção: “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador”. O Magnificat anuncia a redenção de geração em geração, obra das mãos do Deus que visita e abençoa os humildes e pobres, mas humilha e despede de mãos vazias os poderosos e prepotentes. Uma redenção que transborda a subjetividade do foro íntimo e se esparrama pelo chão das sociedades injustas, atravessando o tempo e fazendo livres nossos filhos e os filhos dos nossos filhos.

O Natal do anjo mensageiro é proclamação de boas notícias a todos: José, Maria, pastores no campo e todos os que inclinarem seu ouvido e coração para ouvir. Menos para o menino Jesus. A boa notícia de Deus aos homens a quem quer bem, é também vaticínio de morte para o menino na manjedoura. Ao divulgar que na cidade de Davi nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor, o anjo mensageiro desperta a ira de Roma, seus governantes e imperadores. Somente César é Salvador, filho de Deus e Senhor. Mas de agora em diante estaria presente no mundo aquele cujo reino jamais terá fim. A pedra profetizada por Daniel, solta pela mão de Deus para esmagar todos os reinos deste mundo já rolava na história, e atendia pelo nome de Jesus. As espadas romanas derramaram sangue inocente (os impérios deste mundo sempre derramam sangue inocente), mas o Rei dos reis, o Senhor dos senhores, sobreviveu para desfazer a grande mentira: a Pax nunca foi romana.

O Natal dos anjos cantores definiu que Deus somente é glorificado nos céus quando há paz na terra entre os homens. Desde então, Natal é necessariamente compromisso com a justiça, convocação para a reconciliação, outorga de perdão. Os pastores no campo deixaram seus rebanhos, que guardavam do mal, movidos pelo ímpeto da curiosidade e pelo impulso do maravilhamento, e quem sabe, guiados pela intuição de que naquela noite em Belém o mal estava acuado, reforçando as frágeis trancas das portas de seus territórios, sabendo já que seus dias eram contados. Havia irrompido o tempo quando o lobo e o cordeiro dormiriam juntos, e nenhum espírito tenebroso ousaria ferir a noite do nascimento do príncipe da Paz.

E o Natal dos três reis Magos? O Natal dos três (que não eram necessariamente três) reis (que não eram reis) magos (que não eram magos) foi tempo de adoração. Estudiosos dos corpos celestiais, viram a estrela no Oriente, e foram em busca do rei dos judeus, para o adorar. Trouxeram consigo ouro, incenso e mirra, pois sabiam que adorar é servir, doar, presentear. O menino que recebeu presentes enquanto na manjedoura distribuiu entre os pobres as suas riquezas e nos ensinou: quem deseja me dar um presente que o faça a um dos meus pequeninos. Assim, até hoje, os adoradores de Jesus se espalham no mundo distribuindo riquezas, abençoando os que sofrem, suprindo os pobres, promovendo a justiça e sinalizando a paz.

O Natal não é um só. O menino Jesus também teve seu Natal. E assim o explicou: Eu vim para que tenham vida; eu vim buscar e salvar o que se havia perdido; eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida em resgate de muitos. O Jesus do primeiro Natal até hoje segue seu caminho batendo em todas as portas e dizendo “quem ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele, e ele comigo”.

Retirado do blog: Ed René Kivitz

Nascimento de Jesus na Atualidade

Você já imaginou como seria o nascimento de Jesus nos dias de hoje?



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