O operário alcoólatra que virou santo

Matt Talbot nasceu na pobreza e começou a trabalhar como operário em Dublín, Irlanda, sendo ainda um menino. Não teve acesso a nenhum tipo de instrução. O ambiente familiar era dominado pelo vicio de beber do pai e alguns de seus irmãos. A mãe era uma fervorosa católica, que sofria em ver o estado de sua família.

Aos 12 anos começa a trabalhar em um local onde eram engarrrafadas cervejas. Aí começa o vício do álcool. Aos 16 anos era um alcoólatra crônico, que tinha como único prazer beber. Ao mesmo tempo, começou a se afastar de toda a prática religiosa. A mãe e uma das irmãs jamais o abandonaram, acreditavam que um dia Deus operaria um milagre em sua vida.

O pai na tentativa de afastá-lo do vício da cerveja, o levou para trabalhar junto com ele nas docas do porto, onde, entre outras coisas, se ocupava com a importação diferentes bebidas alcóolicas. Foi o mesmo que cair na panela do diabo, pois da cerveja passou para as bebidas fortes.

Quantas vezes entrava em casa sem os sapatos, porque os havia trocado por uma garrafa de bebida. Quando despertava de sua bebedeira sentia uma profunda vergonha ante Deus. Mas cada vez que chegava o dia do pagamento, ao ver-se com dinheiro, não tinha a força de vontade e sucumbia em tentação. Seu alcoolismo chegou a ser crônico. Vendeu tudo o que tinha para sustentar o seu vício.

Repentinamente, quando já havia completado 28 anos, e já se notavam os sinais inconfundíveis da sua dependência ao álcool, tomou a decisão de abandonar o vício. Neste dia, jogou pela janela um copo com bebida e jurou nunca mais beber. Ninguém jamais soube os motivos desta sua inesperada transformação. Certamente não foi um mero cansaço ou repugnância, nem o medo da dependência física, mas uma ação profunda da graça de Deus.

O dia de sua libertação da escravidão do vício do álcool ficou guardado para sempre em sua memória. Vestiu a sua melhor roupa, e se dirige ao Colégio de Santa Cruz, onde pede para falar com um padre. Faz uma confissão. O sacerdote o aconselha a fazer o seu voto por três meses. No dia seguinte participa da missa, comunga e sai renovado pela presença de Jesus. Matt reconhece na comunhão diária o meio para receber a força espiritual para manter a decisão de não mais beber.

O momento mais difícil para manter a sobriedade é a tarde, depois do trabalho. Para evitar a tentação, realiza passeios pela cidade. Não obstante, um dia entra em um bar cheio clientes. O garçom parece ignorar Matt, sentindo-se ofendido por essa desatenção, sai a toda pressa da sala, decidido a não pôr nunca mais os pés em um bar.

Matt se dá conta de outra dificuldade: o álcool debilitou sua saúde e se cansa nos passeios para evitar a tentação dos bares. Passa então também a entrar em uma igreja e, de joelhos ante do sacrário, fica a rezar, suplicando a Deus que o fortaleça. Desse modo adquire o costume de freqüentar a casa de Deus, e visitar Jesus Sacramentado.

Os três meses parecem intermináveis, pois as conseqüências da falta de álcool (alucinações, depressão e náuseas) tornam esse tempo um verdadeiro calvário. Em alguns momentos, a antiga dependência torna-se violenta, como se fosse impossível resistir ao desejo de beber novamente. Usa como remédio lutar desesperadamente, prolongando suas orações. Um dia, voltando para casa desanimado, diz com tristeza a sua mãe: «É inútil, mamãe, quando se cumprirem os três meses voltarei a beber…». Ela como era uma mulher profundamente religiosa o conforta e anima a continuar rezando. Ele segue o conselho ao pé da letra, toma gosto pela oração e encontra nela sua salvação.

Efetivamente, a oração ajuda a que saiamos de situações humanamente desesperadas. Para Deus tudo é possível (Mt 19, 26). São Alfonso María do Ligorio, doutor da Igreja, afirma: «A graça de orar se concede a todo mundo, de sorte que se alguém se perde carece de desculpa… Orem, orem, orem, e não abandonem nunca a oração, pois quem ora se salva certamente, quem não ora se condena certamente» (cf. CEC, 2744).

Cumpridos os três meses, surpreso de ter «agüentado o gole», Matt renova seu voto por seis meses mais, ao término dos quais se comprometerá para sempre a não beber mais álcool. A oração da mãe e da irmã alcançou a graça implorada. A mudança foi total na vida de Matt, não se libertou somente do vício terrível do álcool, mas foi renovado em sua fé, voltando para Deus e a Igreja com entusiasmo.

Pouco a pouco aprende a escrever para conhecer a doutrina cristã e ler os livros da vida dos grandes santos para poder crescer no seu amor a Deus. O sorriso nos lábios e a sua humildade o transformaram em um apóstolo no meio dos outros operários. Pelo seu exemplo de vida ajudou muitos colegas a saírem do vício e também a voltarem para a prática da religião.

As armas para se manter firme na nova vida de filho de Deus foram durante a vida inteira a Eucaristia diária, oração intensa, leitura espiritual, devoção mariana e dedicação ao trabalho. Sua jornada começava às duas da madrugada. De joelhos rezava até que os sinos chamavam para a missa; depois ia para trabalho e chegava entre os primeiros. Apesar de ganhar pouco ainda compartilhava com os mais pobres. Durante muitas noites cuidava algum amigo doente.

Obteve a vitória. Viveu por 40 anos em completa sobriedade em união com Cristo até sua morte. Ele viveu intensamente a palavra do Senhor: “… o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam.” (Mt. 11,12). Mas não se esqueceu dos que sofrem este terrível vício. “Nunca despreze a um homem que não pode deixar de beber”, disse a sua irmã em uma ocasião, “é mas fácil sair do inferno”.

Matt Talbot é um modelo para todos os homens. Em um tempo em que não existiam comunidades de recuperação ou terapêuticas, ele somente com a força da fé foi capaz de vencer o vício. Às vítimas do alcoolismo ou da dependência de drogas, como também qualquer outro problema, demonstra com seu exemplo que, com a graça de Deus, é possível se libertar de qualquer escravidão.

Fonte: Livro ELES ENCONTRARAM A FELICIDADE, E VOCÊ?   

Via: Padre Alberto Gambarini

Aprendendo a ser corpo – Parte Final

Continuando o post de ontem, no capítulo do livro que eu citei ele fala um pouco de como é a relação dos alcoólicos uns com os outros.

” Usando um sistema de camaradagem , vocês tornam a graça visível prestando assistência e mútuo apoio das maneiras mais práticas: limpando vômitos, permanecendo a noite inteira ao lado de um amigo que está se desintoxicando. Vocês enfocam uma falha humana, o vício, e como uma verdadeira comunidade vocês se sentem no dever de prestar contas por essa falha. Como um alcoólico uma vez me disse: “Se eu entrasse em uma sala dos A.A. e dissesse: Acabo de atirar em minha mulher, alguém perguntaria: Bem, você não vai sair para beber, né?. Nenhuma igreja que eu conheço oferece esse tipo de prestação de contas 24 hrs por dia” pg. 245

“As pessoas conseguem ser falsas na igreja. Como vai? “Ah tudo bem, tudo bem” – quando na verdade o casamento está desmoronando, um adolescente fugiu de casa. Precisa de alguma ajuda? “Não, não está tudo bem. Graças a Deus” pg. 231

Sendo o mais verdadeiro possível, qual dos dois textos se parece mais com o que costuma ser uma igreja nos tempos atuais? Infelizmente o segundo… Cada um por suas razões particulares acaba deixando de lado o que deveríamos fazer que é dividir o fardo e confessar nossos pecados. Pois alguns por orgulho de não querer perder um cargo ou o prestígio, outros por vergonha, não tem coragem de ser sinceros e pedir ajuda aos “irmãos”. Sendo que o que vemos na Bíblia é que de fato façamos isso. Como mostra os versículos a seguir:

“Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação. ” Tiago 5:16

“Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava todos os dias os que iam sendo salvos.” Atos 2:42-47

Ai você pode virar e dizer: “Eu duvido que você vai vender o que tem pra dividir com o pessoal da igreja!”. Realmente concordo com o que você está dizendo, meio difícil encontrar alguém que faça isso, mas acho que podemos pegar esse versículo e ir um pouco mais a fundo, acho que podemos nos focar é no “distribuíam a cada um conforme a sua necessidade”; pois quantas vezes na igreja não tem gente com “dinheiro sobrando” enquanto tem gente que está passando necessidades? E se o primeiro ajudasse o segundo não iria lhe fazer falta e ao mesmo tempo ele estaria abençoando a pessoa?

No meu ponto de vista igreja é isso, fazermos parte do mesmo corpo é um sentir a dor do outro e estar lá para ajudar, por que por exemplo: se você está com dor de cabeça o resto do seu corpo não vai continuar “trabalhando” perfeitamente enquanto essa dor não passar, e assim quando se refere a qualquer outra dor no corpo, todo corpo se abala por conta disso. E se a igreja é corpo de Cristo, por que não somos assim também?

Concordo que não é com qualquer um que podemos sair nos abrindo e dividindo nossos problemas e pecados mais profundos, mais podemos começar hoje a cultivar amizades e nos abrir para relacionamentos para que de fatos sejamos integrantes do corpo de Cristo.

Com carinho

Que Deus abençoe a todos!

Júlia

Aprendendo a ser corpo – Parte 1

Oi gente! Como foram de Natal e Ano Novo? Não sei se vocês perceberam mas nos últimos dias temos colocado vários textos e charges de outras pessoas por que ninguém é de ferro e tiramos uns dias pra dar uma relaxada… rs. Aos poucos voltamos a colocar textos de nossa autoria com mais frequência.

Estava lendo mais um pouco do livro “Pra que serve Deus” do Philip Yancey (que já citei aqui várias vezes) e me deparei com um tema bem interessante.

Em um dos últimos capítulos do livro ele fala a respeito do A.A (Alcoólicos Anônimos) e o que nós como igreja podemos aprender com eles. Vou colocar neste post algumas partes que gostei muito e vou colocar também meus comentários.

“A palavra pecado poucas vezes aparece na sociedade refinada hoje em dia, e até mesmo os grupos de recuperação talvez evitem esse termo com suas ondulantes conotações. Contudo, os alcoólicos e outros dependentes me ensinaram sobre a natureza do pecado. Quando se reúnem em grupos vocês (dependentes) se apresentam dizendo: “Oi, eu sou John e sou alcoólico” e “Oi, eu sou Maria e sou viciada em cocaína”. Se alguém houvesse dito: “Eu sou John e era alcoólico, mas agora estou curado”, o grupo teria pulado em cima dessa pessoa. Os grupos de recuperação dos doze passos (como o AA) insistem no uso do perigoso tempo presente nos verbos. Os alcoólicos não são “curados”; eles simplesmente param de beber. Os viciados estão se recuperando, não estão recuperados. Um alcoólico sempre permanece a um drinque de distância de recair no caminho da destruição, a uma cilada de distância de cair do cavalo.” pg. 234 e 235

“Essa embolorada palavra – pecado – simplesmente identifica aquelas ações que trazem danos físicos e espirituais. Abusando dos dons de Deus, nós introduzimos alguma coisa estranha em nossa alma. Quando se permite que o pecado se torne um vício, ele causa sérios prejuízos, desligando o potencial para o qual fomos criados. O arrependimento remove o bloqueio e restaura a alimentação das áreas de risco, liberando o fluxo vital e purificador da graça de Deus” pg. 240

Bom, se eu for colocar todas as partes que eu gostei do capítulo não vai dar certo, por que o capítulo todo é maravilhoso e nos faz parar pra pensar sobre o modo que estamos dirigindo a nossa vida. E o que eu pensei foi como muitas vezes o nosso modo de pensar está equivocado… Muitas vezes o caminho que seguimos passa a imagem para as pessoas que estão a nossa volta que pelo fato de estarmos indo a igreja e sermos convertidos, somos “melhores” que as outras pessoas. Nesse capítulo inclusive, um alcoólico comenta que não gosta de ir a igreja por que lá as pessoas são perfeitas demais e olham torto para ele… e dessa forma ele se sente excluído. E eu pensei: “Será que muitas vezes não é essa a imagem que passamos as pessoas??” Não estou querendo dizer que devemos ficar pensando em nossos pecados 24 horas por dia e vivermos cheios de culpa, mas que nós devemos viver lembrando que somos pecadores e não que éramos pecadores…

Acho que com o tempo de conversão a nossa vida antiga vai ficando tão para trás que esquecemos que a misericórdia de Deus se renova a cada dia justamente pelo fato de não sermos perfeitos e sermos necessitados dela todos os dias de nossa vida e que a igreja não é um lugar de gente do bem (no sentido de gente perfeita, certinha), mas um lugar que vamos para ficar bem. Pois cada um de nós tem suas fraquezas e problemas, e em Deus encontramos forças para seguir.

Mas como Deus age nos dando essa força?

Continua amanhã 😉

Deus abençoe a todos!

Júlia

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