O Último Mandamento

O que vocês fariam se soubessem que iriam morrer em breve? Não sei se alguém já passou pela situação de conviver com alguém que sabia que iria morrer em breve na cama de um hospital por exemplo, mas a forma de pensar dessas pessoas as vezes muda completamente e passam a ter um senso de urgência para fazer aquilo que é extremamente importante como se reconciliar com alguém ou passar mais tempo com a família e etc. pois sabem que o tempo está acabando e querem gastar o tempo com o que realmente importa.

Ok, mas o que isto tem a ver com o resto do texto? Só quero tentar ilustrar a urgência que Jesus tinha ao dizer as palavras “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. (João 13:34,35). Se vocês lerem o capítulo 13 desde o começo vão ver que o contexto é justamente quando Jesus já se preparava para ser crucificando, era um pouco antes de Sua última páscoa, então Jesus começa a ensinar aos seus discípulos tudo aquilo que considera de mais importante e não poderia de forma alguma deixar seu ministério sem passar isto. É observando esse contexto que considero esses ensinamentos de EXTREMA importância.

Mas peraí, qual é a diferença entre “Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros” e “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”??? As primeiras vezes que li essa passagem me passou batido e eu achava que Jesus só estava reforçando a importância do amor ao próximo e bla bla bla até que um dia eu tava lendo e … plin! Peraí : “Um novo mandamento…”, poxa Jesus não era burro, ele sabia que já tinha dito sobre amor ao próximo antes, sabia que isso não era novo exatamente, portanto esse novo mandamento tinha que ter diferença de “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e de fato tem e muita diferença.

A primeira diferença é que Jesus disse “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” para os judeus ou para qualquer um que quisesse ouvir e no entanto este novo mandamento ele disse especificamente aos seus discípulos e ainda o fez como condição para ser cristão, “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos”, então a grande diferença entre um verdadeiro cristão e os demais é justamente este mandamento.

A segunda diferença é que neste novo mandamento Jesus não disse para nós fazermos aos outros o que queríamos que fizéssemos a nós mesmos e sim para sermos imitadores Dele, este mandamento não se limita a fazer o bem ou fazer “política de boa vizinhança” e sim em entender a mente de Cristo e agir como ele agiria. Ele aumentou e muito o “nível de dificuldade”, como falamos no meu post anterior até mesmo os ateus podem amar o próximo e fazer caridade, mas Cristo deu a vida por nós, nos amou a ponto de morrer por nós ou seja ele amou ao próximo bem mais do que a si mesmo. Aí é que ta o pulo do gato desse mandamento, “Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros”. Em outras palavras é tentar entender como Ele pensava e agir assim e isso meus amigos não é nada fácil.

Quer um exemplo? “Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” (Mateus 18:21,22) Adoro essa cena rs, Pedro estava justamente tentando imitar a Cristo, Jesus havia acabado de falar sobre perdão e Pedro faz a pergunta de quantas vezes devemos perdoar e ainda emenda um “Até sete?”, esse “Até sete?” era por que a tradição judaica mandava perdoar ao outro 3 vezes então Pedro aumenta esse número para 7, talvez Pedro estivesse esperando ouvir de Jesus algo do tipo “Magina, como você é benevolente Pedro, só três tá bom” mas ao invés disso Jesus diz: “Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.”. Não acredito que Jesus quisesse nos fornecer algum número cabalístico ou algo do gênero, senão ele teria dito algo como “490, Pedrão, toma uma agendinha pra você num perder a conta”, mas sim dar um esculacho em Pedro e mostrar a diferença entre a nossa natureza e a mente Dele. Deu pra sentir o drama? Não é fácil mesmo mas ser cristão é ser imitador de Cristo ou pelo menos morrer tentando.

Bem sei que temos nossa natureza que tende a pensar de outra forma e é difícil lutar contra ela mas como Jesus disse: “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me.” (Lucas 9:23) Temos que orar para que dia após dia tenhamos força para negar nossa natureza egoísta e conseguir amar ao outro a ponto de dar a vida por ele.

Que Deus Abençoe

Lucas Lainetti

Anúncios

Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Parte 2)

Como dito no post do dia 06/07  (que aliás é um dos meus textos favoritos) Mahatma Gandhi teria afirmado a respeito dos protestantes ingleses “Aceito seu Cristo, mas não aceito seu Cristianismo”. Ouch, um verdadeiro tapa na cara daqueles que se dizem seguidores de Jesus não é mesmo? Esta frase realmente me faz pensar sobre minhas atitudes. 

O segundo ponto deste mandamento que me chama a atenção é a palavra próximo, na versão em inglês da Bíblia este mandamento está escrito assim “Thou shalt love thy neighbour as thyself”. Próximo = neighbour, vizinho. Sabe aquele cara chato? Que bem na hora que você ta pegando no sono depois de um dia exaustivo grita “Vai Curintcha” a plenos pulmões na janela, mesmo que esteja passando jogo do Criciúma  x XV de Piracicaba? Pois bem é esse cara ai mesmo. 

Fala-se muito em ajudar crianças com fome na África, vítimas no Haiti e etc. Mas ignoramos completamente as pessoas a nossa volta, moro numa cidade grande é comum o tratamento impessoal e a frieza aqui, é comum não saber nem se quer o nome do cara que mora ao lado, muitas vezes temos alguém sofrendo a menos de 100 metros de distância de nós e estamos mais preocupados com pessoas de além mar e ignoramos o fato que temos necessitados aqui também, precisando de um simples prato de comida também. 

Ou então seus parentes? (sogra também é parente, viu gente?) Colega de trabalho? Você está disposto a ajudar e aturar eles? Mesmo o famoso puxa-saco? rs. Amar a humanidade é fácil, difícil é amar o próximo quando o próximo está próximo. Jesus nos chama a construir relacionamentos, ajudar àqueles a nossa volta a se levantar, agir com justiça, humildade e perdão nos nossos relacionamentos dia a dia e não somente a enviar quantias de ajuda a pessoa que você dificilmente teria um contato pessoal. Nós precisamos de Deus e precisamos de nossos irmãos também para viver em comunidade e união em Cristo 

Na segunda-feira irei postar a última parte deste tema, o título do post será “O Último Mandamento”, não percam! 

Que Deus abençoe 

Lucas Lainetti

Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Parte 1)

Este post é uma continuação do post de segunda-feira (Apaixonados por Cristo … mesmo?) onde começamos a falar da passagem de Mateus 22:35-40  onde um doutor da lei pergunta a Jesus qual é o grade mandamento da lei. Uma coisa que me chama a atenção nesta passagem é que é perguntado qual é O (no singular) grande mandamento e Jesus responde com DOIS mandamentos, mas por quê raios Jesus não respondeu “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e pronto? qualquer judeu por mais zeloso que fosse iria ficar contente com essa resposta. Mas eu creio que nesse ponto, quando Ele disse “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”, quis deixar claro que esses dois mandamentos são indissociáveis, são dois mas um depende do outro então é como se fossem um só mandamento.   

Então isto quer dizer que um não pode ocorrer sem o outro? hummm pode, mas do ponto de vista espiritual é inútil. Tiago 2:14 diz “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” Nisto vemos que somente amar a Deus (ou dizer que ama) sem fazer naaaadaaa a respeito é inútil, mas Paulo em sua carta aos Efésios diz “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie;”(Efésios 2:8,9). Cansei de ouvir pessoas dizendo que só fazem o bem, fazem caridade e ajudam o próximo então estão fazendo a vontade de Deus e por isso estão kits com Deus.   

Ajudar o próximo é fazer a vontade de Deus? Com certeza! Fazer isto garante nossa salvação? Errado!!!! Amar ao próximo, ajudar o necessitado, procurar viver com justiça com certeza é importante mas isto não significa dizer que colocou Deus em primeiro lugar na sua vida, afinal de contas conheço muitas pessoas que praticam isto e são ateus, por exemplo, ou tem uma espiritualidade nada a ver com o verdadeiro cristianismo. Maaaass amar verdadeiramente a Deus leva a amar ao próximo, não há como amar a Deus e rejeitar seu irmão. Resumindo não é por que alguém tem um bom caráter que necessariamente tem Deus em primeiro lugar no coração e muito menos é porque alguém diz que ama a Deus é verdadeiramente cristão.   

Continua na sexta … visitem mesmo sendo feriado rs   

Que Deus abençoe   

Lucas Lainetti

Apaixonados por Cristo … mesmo?

“E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”
(Mateus 22:35-40)

 

Este é uma das passagens mais conhecidas da Biblia, até mesmo por aqueles que não praticam a fé no seu dia a dia. Para este post eu quero focar mais especificamente na parte “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento” e no próximo vou falar sobre a parte “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

 

Este mandamento logo começa com o verbo amar, ah o amor, sentimento tão pouco compreendido por nós e objeto de inspiração desde os vários poemas de séculos atrás até as canções sertanejas mais bregas dos dias de hoje. Creio que todos concordamos que o amor é extremamente importante em nossa vidas, eu diria até mesmo que é o motor que move a maioria de nossas ações. Não é a toa que o apóstolo Paulo afirma em sua carta aos Coríntios “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria” (1 Corintios 13:1-3). Ou seja, podemos fazer toda obra de caridade do mundo mas sem amor não adianta nada (falaremos sobre isso no próximo post, não percam rs)


Então amar a Deus de TODO o coração é fazer de Deus o motor de suas ações, o centro de tudo, e como dizia um professor meu, tudo vem da palavra tudo que significa TUDO, entendeu? Bom vou explicar mais, vamos pegar por exemplo a copa do mundo dia de jogo do Brasil, imaginou a cena já? O país inteiro simplesmente pára TUDO por amor ao futebol, um trânsito infernal é estabelecido na cidade de São Paulo por que naquele exato momento a coisa mais importante das suas vidas é chegar em casa para ver o jogo (pelo amor num tô falando aqui que futebol é do capeta, foi só um exemplo ok?). Mas infelizmente muitas pessoas não tem a mesma urgência para ler a Biblia, buscar a Deus e etc. Deus é simplesmente mais uma coisa em suas vidas (eu pelo menos não enfrento um transito infernal pra chegar na igreja rs). Muitas vezes nós (e me incluo nisto) deixamos as coisas de Deus de lado porque temos algo que aos nossos olhos é mais importante como o trabalho por exemplo, tem épocas e começamos a trabalhar tanto que acabamos deixando todo o resto de lado como nossas famílias e isto não é bom.


Amar a Deus é colocar Deus em primeiro lugar em nossas vidas e isto nem sempre é uma coisa fácil, um amor assim exige um compromisso muitas vezes mais sério do que pensamos, Martín Luther King disse uma vez “Aquele que não descobriu pelo o que morrer, não é digno de viver”. Será que estamos realmente dispostos a morrer por amor a Deus? Dou graças por viver em um país onde somos livres para adorar a Deus sem perseguição mas muitos cristãos tiveram que morrer por seu amor a Cristo, não somente os primeiros mas muitos nos dias de hoje. Será que somos capazes disso mesmo? Paulo disse “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:21), eu oro para que isto seja uma verdade em meu coração e não somente da boca pra fora.


Que Deus abençoe
Lucas Lainetti

%d blogueiros gostam disto: