Soli Deo Gloria

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus. Não se tornem motivo de tropeço, nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus. Também eu procuro agradar a todos de todas as formas. Porque não estou procurando o meu próprio bem, mas o bem de muitos, para que sejam salvos” ( 1 Coríntios 10: 31- 33)

A Glória somente a Deus. Isto por si só parece auto explicativo, não é mesmo? Imagino que você como cristão já tenha ouvido isto como doutrina e realmente creio que tenha isto como princípio básico da sua fé. Então neste texto vou tentar não me prender tanto ao óbvio mostrando citações bíblicas que provem esta afirmação de Lutero, pois imagino que isto não seja novidade. Primeiro vou colocar uma breve contextualização histórica de Lutero e depois vou falar um pouco da minha própria experiência sobre como esta afirmação não tem sido cumprida na igreja atualmente.

“Soli Deo Gloria” foi um lema que derivava do entendimento de que tudo o que o homem faz deve se destinar à glória de Deus. Essa deve ser o motor que nos estimule a viver neste mundo.

Nos dias de Lutero, de uma maneira geral, as pessoas viviam para a Igreja. Isso aparentemente era muito bom, pois havia um sentimento religioso e uma busca pelo divino. No entanto, a Igreja havia tomado o lugar central da vida das pessoas; elas estavam dependentes da igreja como uma instituição. O Império, o governo local, o comércio, o latifúndio, a extração mineral, o conhecimento, a arte, a filosofia e toda e quaisquer outras riquezas estavam atrelada à igreja. Onde está o mal disso? Reside no fato de que a igreja pensava em sua própria glória e grandiosidade.

Lutero vivia para a Igreja até que descobriu que a igreja não estava mais vivendo para Cristo e sim para o papado e para si mesma. Não somente ele; Calvino, Zwínglio, Farel, J.Knox…, todos afirmaram com suas palavras e atos que iriam viver para Deus. Como Calvino comentou: “… Deus deseja que a Sua glória seja manifesta no seu povo”. (Calvin Commentaries on the Isaiah 43.7).

Ao contrário do que acabamos pensando ao ouvir “Soli Deo Gloria” isto não era uma afirmação contra a idolatria aos santos, mas contra ao viver para a igreja, pois como o apóstolo Paulo dizia “viver é Cristo”.

Agora me responda sinceramente, você acha que a igreja hoje, de um modo geral, vive isso? Eu parei para pensar na minha não tão longa jornada como cristão e não demorou muito para lembrar de diversos casos onde esse conceito tão básico foi ferido. Pregadores centrados em si mesmos, cheios de orgulho e prepotência como se tivesse o poder de ministrar bênçãos por si mesmos. Levavam o povo a acreditar que tinham algum tipo de relacionamento especial com Deus (que se você orou e não funcionou se ele orasse funcionaria). Isso sem contar no show de patuás gospel, que se levados para casa mediante a uma contribuição eles iriam liberar uma benção especial na sua vida. Também existe a venda de bênçãos especiais ministradas como “oportunidade única” pelo “profeta de Deus”. São pregadores que se acham a ultima bolacha do pacotinho de Deus. E por causa do orgulho cometem os maiores absurdos antibíblicos e ainda chegam a afirmar que se você desobedecer ou fizer qualquer questionamento (mesmo que bíblico) ao líder espiritual é como desobedecer ou desafiar ao próprio Deus!

Eu normalmente não faço citações para acusar alguém, mas recentemente vi uma do auto intitulado apóstolo Valdomiro Santiago que me deixou especialmente nervoso: “A Igreja que fundei e abri e melhor do que a primeira de onde vim! A gloria será minha, a igreja é minha, eu sou o dono dela e ninguém me tira.”

E também existe o outro lado da mesma moeda, de um lado um líder espiritual centrado em si mesmo e no outro um povo sedento por satisfazer suas ambições e desejos por riqueza. Tentam transformar a Deus em um gênio da lâmpada para satisfazer seus desejos. Nos cultos cantam “louvores” pedindo o que já é seu, restituição, chuva (até hoje não entendi isso, em SP tem até enchente), determinam prosperidade e etc apontando suas replicas da arca da aliança, pano de saco, água do rio Jordão ou sei lá mais o que orando a Deus com um tom de “você me deve”.

Deus não existe para satisfazer as ambições humanas, os desejos, os apetites de consumo, ou nossos interesses espirituais particulares. Precisamos nos focalizar em Deus em nossa adoração, e não em satisfazer nossas próprias necessidades. Deus é soberano no culto, não nós. Nossa preocupação precisa estar no reino de Deus, não em nossos próprios impérios, popularidade ou êxito.

A união desses dois fatores gera uma massa sem rosto esperando se tornar milionárias através das bênçãos ministradas por seus super lideres. Como somente estão atrás das bênçãos e não de Deus, estas ficam cegas e defendem suas instituições com unhas e dentes apesar de qualquer coisa que seus líderes façam. Já vi pessoas defenderem com afinco e verdadeiramente endeusarem esses líderes espirituais, da mesma forma que ainda hoje a igreja Católica afirma que não há salvação fora dela, essas igrejas levam seus membros a crer que somente ali serão abençoadas e estão “cobertas espiritualmente”.

Como resultado desse ensino, o que observei acontecer foi o aparecimento de aberrações antibíblicas e extra-bíblicas:

• Cobertura espiritual (Nossa cobertura é Cristo);
• Clonagem e despersonalização (Todo mundo fala e veste igual ao líder);
• Autoritarismo (Arrogância, Tirania e Abuso espiritual);
• Mau uso e distorção bíblica (versículos fora de contexto sem considerar o todo);
• Aparecimento das figuras totêmicas (O líder sagrado e num pedestal);
• Por fim, muitas pessoas feridas e decepcionadas.

Pergunto, onde está a Glória de Deus nesse caso? Deus está realmente sendo glorificado através de pessoas que, apesar de viverem em um país que sofre com a má distribuição de renda, dizem a todo instante que vão se tornar milionárias e juntar riquezas? Deus está realmente sendo glorificado através da construção de uma réplica megalomaníaca e hiper cara de um templo de Salomão?

Uma coisa é certa, Deus deve ser o centro de nossas vidas devemos ama-Lo acima de todas as coisas, acima de nossos próprios anseios. A Sua vontade deve ser nosso objetivo principal de vida e não que Ele faça nossa vontade.

Às vezes penso que precisamos de uma nova reforma, o que vocês acham?

Que Deus abençoe

Lucas Lainetti

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Sola Fide

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Sola Fide

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus”. (João 3:16-18)

Por várias vezes ouvi alguns teólogos afirmarem que João 3:16 é o versículo central do evangelho de Cristo, pois resume em poucas palavras a mensagem principal do ministério de Jesus. Historicamente, o conceito de “Sola Fide” foi a base para Martinho Lutero desafiar a cobrança de indulgências pela igreja Católica, e por essa razão é chamada de Princípio Material da Reforma Protestante.

A base é simples, é a afirmação que a fé no sacrifício de Jesus é suficiente para a salvação e não é necessária interpretação de mensagens nas entrelinhas ou contextualização específica, está escrito explicitamente em João 3:16, por exemplo, ou na carta aos Romanos Paulo afirma “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à lei” (Romanos 3:28). Está mais do que claro que era isso que a igreja primitiva acreditava em seus primórdios. Mesmo assim a igreja Católica, que sempre se afirmou como única igreja de Cristo e fundada pelos apóstolos, afirmava que a salvação vinha pela obras e sem o perdão de pecados através dos padres (não era só ajoelhar e pedir perdão) a pessoa estava condenada ao inferno então as pessoas deveriam comprar (exatamente comprar com dinheiro e tudo) as indulgências para que fossem perdoadas. Olha, eu creio que não podemos ser salvos pelas obras, pois não há como ser perfeito, me parece completamente absurdo ser salvo por “suborno”. Não há como subornar ou barganhar com Deus para se obter a salvação e nem qualquer outro tipo de benção.

Ah mas existe um versículo famoso, o favorito de 10 entre 10 pastores legalistas: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2:17). Por algum tempo eu acreditei nisso como a base definitiva de prova de que mesmo com a graça de Cristo no sacrifício na cruz eu precisava de obras para “provar” a minha fé (como se Ele não conhecesse meu coração) e pior cheguei a acreditar que cada vez que eu pecava era mais um prego que eu cravava na cruz. Isto transforma o evangelho do amor e que liberta em uma prisão de culpa.

Lendo melhor o livro de Tiago consegui juntar as peças do quebra cabeça e contextualizar. Percebi que logo acima, no versículo 13, Tiago afirma que “a misericórdia triunfa sobre o juízo” e que ele falava de amor ao próximo e etc. Tentando trazer para os dias de hoje Tiago falava que não adianta nada você evangelizar alguém e ignorar sua dor, Jesus disse: “Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram” (Mateus 25:35) e não “tive fome e me deram um panfleto”.

Embora a Reforma Protestante afirme que a obediência às Leis de Deus não é necessária para ser perdoado por Deus, não desconsidera as boas obras. Essa obediência é entendida como conseqüência e não causa da graça de Deus. Por que eu amo a Cristo eu desejo falar do seu amor e seguir o seu exemplo e não ao contrário. Não há base para salvação a não ser a fé no sacrifício de Cristo; a base não é nosso patriotismo, devoção à igreja ou moralidade. O evangelho declara o que Deus fez por nós em Cristo, não é sobre o que nós podemos fazer para alcançar Deus.

“Visto que existe um só Deus, que pela fé justificará os circuncisos e os incircuncisos. Anulamos então a lei pela fé? De maneira nenhuma! Pelo contrário, confirmamos a lei” (Romanos 3:30,31)

Que Deus abençoe

Lucas Lainetti

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Sola Gratia

“Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie”.(Efésios 2:8,9)  

Já imaginou receber um presente tão bom, mas tão bom que parece ser bom demais para ser verdade? Imagino que essa seja a única explicação para algumas pessoas não aceitarem que a graça de Deus é suficiente para salvação. Instintivamente tentamos “comprar” a salvação o que não é possível.  

Na época de Lutero acreditava-se que Deus salvasse pela graça, mas também se acreditava que o próprio livre arbítrio e cooperação com a graça era “a parte humana” na salvação. A frase popular medieval era: “Deus não negará a sua graça àqueles que fazem o aquilo que podem.”. A primeira vista não parece que há algo errado com esta frase (até escrever este post provavelmente eu concordaria plenamente com ela sem pensar). Mas por que Lutero escreveria algo contra este pensamento então? Lembrei de um versículo que explicaria isto: ”Somos como o impuro — todos nós! Todos os nossos atos de justiça são como trapo imundo. Murchamos como folhas, e como o vento as nossas iniqüidades nos levam para longe”.(Isaías 64:6).  

Se pararmos para pensar poderíamos parecer até mesmo ingênuos diante de Deus achando que qualquer coisa que fizessemos poderia fazer Ele nos amar ou deixar de amar. Imagine a cena: Você acorda pela manhã e tá o seu cachorro abanando o rabo todo feliz em cima de você, ai você se senta e percebe a cena, seu cachorro teve a “brilhante” idéia de te dar um presente, foi até o quintal e caçou o primeiro bicho que viu pela frente e trouxe feliz para você apreciar. Você vê um pombo morto ensanguentado em cima da sua cama (eca! Nojento) pena para tudo quanto é lado e quando você se levanta e então? Vê a casa abaixo como prova da perseguição e o seu cachorro alí, parado, abanando o rabo, feliz e com ar todo orgulhoso por ter trazido algo para o dono. Deve ser mais ou menos assim que Deus nos vê tentando “comprar” a graça.  

“Sola Gratia” é a afirmação que Deus JÁ nos ama antes mesmo de qualquer coisa, não precisamos fazer absolutamente nada para receber isso. A fé no sacrificio de Cristo é suficiente para salvação. Alguns pregadores chegaram a passar a ideia do legalismo em que você precisaria fazer uma lista de coisas e deixar de fazer outras para só depois Deus se manifestar e derramar o Seu Espírito. Seria mais ou menos o mesmo que um pai chegasse para o seu filho de 5 aninhos e falasse assim: “Olha joãozinho tá aqui uma lista do que você precisa fazer. Se você cumprir tudo isso então eu vou te amar e ser seu pai”. Esse pai iria parecer aquele caso da procuradora Vera Lúcia que maltratou uma criança no Rio, lembram? Nós sabemos que normalmente não é assim, os pais amam os seus filhos antes mesmo de eles nascerem, pais exortam seus filhos e cuidam não importa o quanto eles sejam rebeldes.  

Então “Sola Gratia” é um convite ao liberalismo? Já que Deus nos ama independente de qualquer coisa? Claro que NÃO, Deus oferece a Sua graça a todos através do sacrifício de Cristo e aqueles que aceitam esse sacrifício a recebem antes mesmo de qualquer passo, como no caso de Maria Madalena por exemplo, primeiro ela aceitou a graça de Cristo e depois largou sua vida de pecado por amor a Ele. Da mesma forma nós que aceitamos a Cristo tentaremos fazer Sua vontade e nos afastar do pecado por amor a Ele. Não fizemos absolutamente nada para que possamos merecer isto mas Ele nos adotou como filhos. Por quê? Não faço a mínima ideia, só sei que isso é o imenso amor de Deus que eu não sou capaz de compreender.  

No final das contas provavelmente tentaremos caçar algum pombo por aí e levar na cama para o nosso Mestre, mas não na tentativa de comprar o seu amor, pois sabemos que Ele já nos ama, mas por quê somos gratos a Ele por tudo. E não seremos expulsos de casa por não termos feito a lição de casa ou por qualquer outro motivo, mas provavelmente seremos exortados e colocados de castigo rs, pois somos disciplinados com amor.  

Que Deus abençoe
Lucas Lainetti  

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Solus Christus

“Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos. Esse foi o testemunho dado em seu próprio tempo”.(1 Timóteo 2:5,6)

Essa afirmação de Lutero foi de alto impacto na igreja Católica, pois atacava diretamente uns dos pilares de poder de influência sobre o povo. Por volta do ano 400 o Catolicismo Romano introduziu o culto à Maria como intercessora entre Deus e os homens, após isto foi introduzido gradativamente o culto às imagens e canonização dos santos. Na época de Lutero já estava consolidada a idéia do Papa como representante de Deus na Terra e com o poder de perdoar pecados. Nesta situação a igreja tinha a faca e o queijo na mão por que as pessoas acreditavam piamente que os sacerdotes tinham o poder de mandá-las para o inferno se questionassem sua autoridade ou se não fizessem o que mandassem.

A afirmação “Solus Christus” dita em público abria a mente das pessoas para a verdade libertadora de que Cristo havia morrido pelos nossos pecados e que somente ele já era suficiente intercessor entre os homens e Deus. Além disso, acabaria completamente com o “monopólio teísta”, assim o clero perderia completamente sua posição já que a população não estava satisfeita com a igreja, livres do medo não haveria mais nada que os prendesse ao clero.

Vou tentar resumir em poucas palavras a essência desta afirmação, ao estudarmos o Antigo Testamento, podemos constatar que o sacerdote hebreu tinha um papel central na relação entre Deus e o povo judeu, sendo que somente o sacerdote poderia, em determinada época, se aproximar da presença de Deus para levar as ofertas do povo pelo perdão dos pecados. Esta situação levou ao fato que os sacerdotes se colocavam em uma situação mais elevada que os outros querendo trazer glória para si.

No meio dessa bagunça, Jesus começa seu ministério na Terra, luta contra isso e faz seu sacrifício morrendo na cruz para libertar o povo desta situação se tornando o Sumo Sacerdote e único e suficiente mediador entre os homens e Deus (“Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que adentrou os céus, Jesus, o Filho de Deus, apeguemo-nos com toda a firmeza à fé que professamos, pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado. Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”. Hebreus 4:14-16).

Depois de tudo isso alguém inventa que Cristo não era suficiente como intercessor entre os homens e Deus e gradativamente introduz a idéia de outros intercessores afastando Deus dos homens e por conseqüência anulando o sacrifício de Cristo na cruz até que o sacerdote seja colocado como figura central novamente deixando Cristo e a cruz somente como pano de fundo. A afirmação “Solus Christus” resgata a essência do sacrifício na cruz fazendo com que as pessoas tragam Cristo para o centro de sua fé.

Na Idade Média, o ministro era considerado como tendo uma relação especial com Deus, na medida em que mediava a graça de Deus e o perdão através dos sacramentos. Ainda hoje percebo isso ocorrendo no nosso meio (claro que não de maneira generalizada): ministros tentam trazer para si um ar de superioridade, onde suas palavras são incontestáveis, sendo supostamente um líder que deve ser acatado não importa o que fale, pois supostamente tem uma autoridade espiritual – e até mesmo uma ligação com Deus que os outros não tem. Querem fazer da unção o fato “uns são e outros não”.

Claro que por conta da maturidade e experiência na fé alguns de nós têm uma visão mais ampla e maior entendimento que outros, mas isso não torna esta pessoa mais importante diante de Deus do que alguém quem se tornou cristão hoje. Temos que manter firmes em nossa mente Cristo como figura central e que temos acesso a Deus através unicamente dele e lembrarmos que todos os que têm fé nele são iguais diante dele e devem seguir seu exemplo: “… Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”. (Marcos 10:43-45)

Que Deus abençoe
Lucas Lainetti

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Sola Scriptura

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16,17) 

Eu imagino que “Sola Scriptura” foi a primeira conclusão que Lutero chegou antes de escrever suas teses. Não encontrei nenhum dado que afirme isso, mas quando parei para meditar nesta mensagem me dei conta que os outros quatro “Solas” foram gerados justamente por contestar as tradições religiosas da época e conflitá-las com a Bíblia, logo, imagino que Lutero um dia estudando as Escrituras caiu a ficha que alguns ensinamentos e tradições da igreja iam diretamente contra os ensinamentos Bíblicos. Ele deve ter parado pra pensar: 

– “Qual deve ser minha base? As palavras de um Livro inspirado pelo Próprio Deus que eu me proponho a servir ou o que meus superiores da igreja que eu faço parte dizem ser certo?”. 

Colocando desse jeito pode parecer óbvia a resposta “Somente a Palavra de Deus (Sola Scriptura) e não ensinamentos de homens”. Mas não acho que essa conclusão tenha sido algo tão simples para Lutero, vamos tentar imaginar a situação dele, um padre católico, praticante, sério, que respeitava muito a igreja e via toda a atividade dela como sagrada, cria absolutamente que seus superiores e colegas do clérigo eram homens de Deus íntegros e dedicou 12 anos da sua vida a esta igreja antes de finalmente contestar os ensinamentos que muitas vezes ele mesmo propagou. 

Primeira coisa que eu tiro disso é que Lutero não era o tipo de cara que ficava procurando contradição em qualquer coisa para começar a criticar alguém, ele era simplesmente um cristão sincero e humilde no caminho de conhecer a Deus e a verdade (assim como você, eu e tantos outros que conhecemos). 

Segundo ponto é que ele começou a descobrir divergências entre a Bíblia e afirmações que ele assumiu como verdade absoluta durante tooooda sua vida, os dogmas. Para uma breve contextualização do que isto significava para Lutero, dogmas eram afirmações que deveriam, indiscutivelmente, serem assumidas como verdadeiras e se você perguntasse “por quê?” a resposta seria “porque sim, Zequinha” e se você contestasse você seria excomungado e morto e iriam afirmar categoricamente para sua família e amigos que você foi para o inferno e está sendo espetado pelo capeta nesse exato momento, deu pra sentir o drama? 

Mas graças a Deus Lutero era um cristão sincero, humilde e que orava muito e Deus encheu ele de coragem para enfrentar tudo e expor a verdade. Querendo fazer uma reforma na igreja, clamando para que ela voltasse às práticas ensinadas na Bíblia “Sola Scriptura” nasce como um grito de guerra da Reforma Protestante e Lutero foi a público reprovar os ensinamentos não Bíblicos. Mas a igreja não estava muito interessada em mudar seu “modelo de negócio” e resolveu ameaçar Martinho Lutero com a excomunhão (e morte) se ele não se retratasse formalmente. A resposta de Martinho Lutero foi: “Portanto, a menos que eu seja convencido pelo testemunho das Escrituras ou pelo mais claro raciocínio; a menos que eu seja persuadido por meio das passagens que citei; a menos que assim submetam minha consciência pela Palavra de Deus, não posso retratar-me e não me retratarei, pois é perigoso a um cristão falar contra a consciência. Aqui permaneço, não posso fazer outra coisa; Deus queira ajudar-me. Amém”

Eu me identifico pessoalmente com essa história, pois já estive em posição semelhante, onde tive que contestar o que era dito em cima do altar por alguém que eu acreditava ser um homem de Deus, mas claramente falava algo que ia diretamente contra princípios mais básicos da fé em Cristo e semelhantemente também pregava que aquele que contestasse o que o “homem de Deus” falava no altar estava sendo usado pelo diabo. Absolutamente não é fácil ver que coisas que você acreditou durante anos eram mentiras diabólicas e também não é fácil se libertar desses ensinamentos. Pois o diabo sutilmente coloca esses ensinamentos no nosso meio com aparência de verdade (se aparecesse um bicho vermelho com chifres na minha frente eu iria rejeitar qualquer coisa que ele falasse logo de cara). 

Somente a Palavra de Deus pode nos libertar dessas armadilhas e prevenir que sejamos enganados por falsos profetas. Então eu peço (do fundo do coração) a quem me lê que estude, entenda e absorva os ensinamentos da Bíblia. Não “coma na mão” de ninguém seja pastor, bispo, apóstolo, profeta, ou seja lá o que for. Não se permita ser manipulado, pois já surgiram dezenas de falsos profetas se colocando como autoridades de Deus e irão surgir mais. Tenha sempre a Palavra de Deus como base (a Palavra completa e dentro de um contexto, pois o diabo também usa trechos fora de contexto para persuadir) e na dúvida ore, ore muito. 

“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.” (2 Timoteo 2:15) 

Que Deus abençoe 

Lucas Lainetti 

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