Telescópio

Ano Novo à vista!!

Charge de Mike Waters em Joyful’toons

Combustível

Charge de Mike Waters em Joyful’toons

O astrônomo

Charge de Mike Waters em Joyful’toons

Torre Forte

Charge de Mike Waters em Joyful’toons

O Natal de Herodes

É sempre saudável procurar uma aplicação pessoal refletindo no que foi o Natal para José, Maria, pastores, astrólogos, e os demais daquele momento único para a humanidade.

Mas eu penso que podemos ir além da personalização das experiências das personagens do presépio e do reconhecimento da nossa contaminação consumista projetada no Papai Noel que é uma espécie de vilão, um Judas que é malhado por alguns radicais numa espécie de antecipação do sábado da paixão.

Entre tantas figuras emblemáticas do Natal, Herodes e o que ele representa não podem ser desconsiderados de modo algum.

Eu creio que o Natal é sobremodo perturbador para o Herodes que há em nós.

Não são poucos os que buscam um jeito herodiano de ser estudante, ser profissional, ser empresa e fazer negócios.

Quem não gostaria de ser lembrado como “O Grande”, “O Cara” em sua trajetória acadêmica, profissional e empresarial?

Bem articulado e relacionado com os poderosos de Roma, Herodes usou e se deixou usar buscando os seus interesses e deixando a sua marca na história com um case de gestão e administração que pôde ser confirmado, inclusive, pelos seus monumentos magníficos e nas obras portentosas que justificaram muitos dos seus títulos e homenagens.

O seu estilo de governar não diferia da maioria dos poderosos de sua época, para ser “O Grande” e continuar sendo ”O Cara” ele não hesitou em matar a esposa, os três filhos, a sogra, o cunhado, o tio, amigos e os meninos de Belém.

Todos sabem que são poucas as histórias de sucesso profissional e empresarial capazes de escapar dessa triste comparação.

Não são poucas as esposas, filhos, parentes e amigos que são assassinados por causa da ascensão e manutenção de nossas carreiras profissionais.

Há quem diga que não há como ser exitoso profissionalmente sem se perder ou perder alguém pelo caminho. Caso isso seja verdadeiro, resta-nos avaliar com atenção se tal empreitada vale realmente à pena ou se há alguma possibilidade de diminuir o numero de vítimas e mutilações.

Será que as conquistas dos Herodes e seus discípulos poderiam acontecer sem tanta mortandade?

Acho que não, quem tem vocação para Herodes nunca ficará livre do assassinar para ser “O Cara”!

Pessoas que usam de quaisquer expedientes na escalada rumo ao sucesso podem chegar a conseqüências inimagináveis para se manter no topo.

Por isso que a perturbação, sim, perturbação foi o que a visita dos Astrólogos do Oriente trouxe a Herodes, sua corte e toda a Jerusalém.

Eu imagino a justificável inquietação que dominou o coração do Rei Herodes.

Após anos de investimento na sua escalada de poder e depois de conseguir o respaldo do Senado Romano, agora ele está no topo, no ponto mais alto de suas aspirações.

E agora, esses homens guiados por uma estrela trazem uma mensagem que pode comprometer todo o planejamento estratégico de sua consolidação no poder.

Não há espaço para outro Rei, Líder e Pastor do Povo, a vaga de Messias já está ocupada.

Mas esse assunto terminou ressuscitando as recorrentes discussões proféticas sobre a vinda do tão esperado Messias.

Diante disso, Herodes conduz pessoalmente uma consulta aprofundada sobre essas profecias e envida firmes ações visando a eliminação do novo Rei, Pastor e Líder.

Esse estrategista neófobo não difere de muitos maquiavélicos que laboram implacavelmente pela eliminação de qualquer liderança nova que possa ocupar o seu espaço, status e posição.

Eu realmente acredito que todos nós temos uma versão revista e atualizada de Herodes dentro de nós.

Henri Nouwen em seu livro a Volta do Filho Pródigo diz: “Eu tenho tanto medo de não ser amado, de ser culpado, posto de lado, superado, ignorado, perseguido e morto, que estou constantemente criando estratégias para me defender e conseqüentemente garantir o amor que acho que preciso e mereço.”

A simples possibilidade de um novo Rei é inquietante demais para aqueles que vivem encastelados e soberanos em seu reinozinhos.

Como não ficar preocupado diante da possibilidade de deixar de ser amado, admirado, aplaudido e ovacionado.

É perturbador saber que eu poderei ser deixado de lado e superado, afinal, coroas não foram feitas para ser compartilhadas.

O berço do novo e pequenino Rei faz sombra no trono de Herodes, o Grande.

Definitivamente, o espírito de Herodes e o Espírito de Jesus não podem ocupar o mesmo espaço.

Há uma conspiração divinal muito mais poderosa que alerta os astrólogos, põem em ação um plano de fuga em prol da vida e aguarda pacientemente a morte de todos os que atentam contra a vida.

Eu desejo que a simplicidade do Natal exorcize o espírito de Herodes que há em mim e que as minhas estratégias de defesas e ataques que buscam garantir o que eu acho que preciso e mereço sejam desconstruídas e desmobilizadas.

Eu desejo por fim que o menino Rei cresça em meu coração e vida e que eu me alegre em ser a sua pequena Nazaré.

Graça, Paz e todo o Bem de Jesus o Nazareno sejam sobre todos vocês e os seus amados.

Feliz Natal e um 2011 com mais Jesus e menos Herodes!

Por Levi Araújo

%d blogueiros gostam disto: