Prioridades

Há um tempo recebi este e-mail e vira e mexe me lembro dele…Hoje vou falar um pouquinho sobre o que ele fala ao meu coração.

Um frequentador da igreja ligou para o programa de rádio e reclamou que não faz sentido ir a igreja muitos dias: “Eu tenho ido a igreja por 10 anos, e durante este tempo eu ouvi mais de 3 mil mensagens. Mas eu dou minha palavra, não consigo me lembrar de nenhuma delas. Assim eu penso que eu estou perdendo o meu tempo e os pastores perdendo o tempo deles pregando e ensinando” Esta ligação gerou uma grande dicussão na rádio. Pessoas ligavam defendendo a frequência na igreja outras não.

Mas ninguém conseguiu se expressar muito bem. E isso demorou horas.

Até que um homem ligou: “Eu estou casado há 30 anos, Durante este tempo, minha esposa deve ter cozinhado umas 32 mil refeições. Mas dou minha palavra: não me lembro do cardápio de nenhuma delas, mas uma coisa eu sei, todas elas me nutriram e me deram a força que eu precisava para fazer o meu trabalho. Se a minha esposa não tivesse me dado estas refeições, eu estarei hoje fisicamente morto”

“Da mesma forma eu me alimento espiritualmente na igreja, posso não me lembrar de todas as mensagens, mas cada uma delas serviu para me alimentar espiritualmente”

Este argumento foi suficiente para encerrar a discussão na rádio.

Bom, quantos de nós ao longo do dia a dia conseguem tempo pra tudo? Trabalho, estudos, afazeres domésticos, ver os amigos, comer, namorar… E chega domingo (ou sábado, ou o dia que você tira pra ir a igreja) e a primeira coisa que nos passa a cabeça quando aparece um compromisso de última hora é “Ah! não vou a igreja só hoje… não tem problema, só um domingo!”. Digo isso me incluindo na questão, porém o ponto é quantos de nós no meio da correria fala “Ah!! comer leva muito tempo, acho que vou abolir isso da minha agenda” ou “Ah! não vou mais dormir… vou usar esse tempo para alguma coisa mais útil!”.

Bom, acho que você, assim como eu, já ouviu alguns “espertinhos” falando as frases acima ou alguma coisa do gênero, e qual foi a circunstância que levou a pessoa que o disse? Problemas de saúde, falta de paciência, perda de atenção… Por quê? Por que o corpo humano tem suas necessidades fisiológicas a serem supridas! Assim como a nossa alma precisa ser alimentada diariamente, podemos não ir a igreja todos os dias, mas devemos nos preocupar com ela, nos alimentando com músicas, orações, leituras, enfim coisas que nos fortaleçam no meio desse mundo tão conturbado em que vivemos. O resultado de deixar de fazer isso não vai ser visível tão facilmente quanto o deixar de se alimentar ou de dormir, porém há uma frase que sempre uso, uma pessoa quando está “caindo na fé” não percebe quando está no meio do caminho, mas percebe apenas quando está no fundo do poço, é triste, mas sem sombra de dúvidas na maioria dos casos é verdade.

“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.”
Marcos 14:38

Quem quer ser um milionário?

Quando eu vou à livraria me chama a atenção a quantidade enorme de livros na sessão auto ajuda, isso me diz diretamente que essa, provavelmente, é a sessão de maior vendas e indiretamente diz que existe um grande público desesperado por ….. ajuda! (dãrd) existe uma multidão de pessoas desesperadas por resolver seus anseios e conflitos internos. Parece que existe uma conspiração querendo colocar na nossa cabeça que devemos a todo custo comprar produtos que não podemos para parecermos pessoas que não somos para pessoas que não gostamos (isso te faz sentido?? Nem para mim).

Pode parecer um pensamento fundamentalista, mas para mim o próprio termo “Auto ajuda” já é um tanto herege porque auto ajuda busca também a auto suficiência, onde você por si mesmo resolveria todos os seus problemas e não precisaria de mais ninguém. Sendo que o cristianismos não existe sem a comunidade de Cristo, buscamos nossa ajuda em Cristo e também devemos ajudar uns aos outros.

Voltando (rs) nessa sessão da livraria já vi um livro com o título “Deus quer que você seja um milionário”. Então me coloquei a pensar no assunto, Deus realmente iria querer que alguém seja um milionário? Deus iria querer que alguém fosse pilar de concentração de renda, visto como um dos principais problemas de nosso país? Por quê? Fuçando pela net eu achei o texto do Leandro Siqueira publicado no blog Sejamos Honestos que segue abaixo

“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós” 1 Co 11:19

Tenho meditado muito a respeito disso há algum tempo. Por que o Evangelho pregado hoje pela Igreja de Cristo difere tanto do Evangelho pregado pelo próprio Cristo e Seus Apóstolos?

Há algum tempo eu defendia a tese de que homens mal intencionados pregavam com o intuito de ludibriar, iludir, enganar o povo. E com o passar do tempo tenho visto que tem sido algo crescente em nosso meio. E sinceramente, assim como tenho visto muitos saírem decepcionados com Deus (por esperarem o que Ele não os prometeu), tenho visto também que muitos têm permanecido, satisfeitos com a refeição que tem sido servida. E tenho me perguntado: Como é possível estarem satisfeitos, se tal refeição não é alimento pra vida eterna (Jo 6:35)?

Eis a resposta:

“Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas ” 2 Tm 4:3-4

O cristianismo contemporâneo tem se tornado algo aceitável e agradável aos ouvidos de muitos incrédulos. Se amam o dinheiro, prega-se que Jesus te dá dinheiro, ou que Ele multiplica seu dinheiro a trinta, ou a sessenta, ou a cem por um. Prega-se auto-ajuda, psicologia. Você é demais! Você é maravilhoso! Você “pode todas as coisas naquele que te fortalece”, você poder ser médico, pode ser advogado, dono de empresas, e, aliás, “Deus quer que você seja Milionário”.

Como isso me dói aos ouvidos! Como isso aflige minha alma! Mas entendo que “importa que haja entre nós heresias, para que os sinceros se manifestem entre nós”. Isso é necessário para que seja revelado quem verdadeiramente é o senhor de cada um. A cada dia surge uma unção nova, nenhuma delas encontrada nas Escrituras, a não ser por meio de distorção. Tem surgido homens, que têm sido chamados de “super-heróis” que vieram salvar o mundo. E Cristo? Seu sacrifício foi em vão? E a mensagem de Cruz? Não se prega mais arrependimento? A mensagem “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1:15) parece estar meio defasada, segundo o ponto de vista dos grandes “ungidos” atuais. Já me falaram que era “papinha” se pregar a mensagem de Cruz. Triste, meus olhos enchem de lágrimas, e surge uma indignação tal, pelo fato de que este cristianismo contamporâneo tem feito mais filhos do diabo, do que filhos do Deus Altíssimo por meio de Cristo Jesus.

Isso não é cristianismo. Essa não é a mensagem de Cristo. Se isso fosse a mensagem de Cristo, concluiríamos que Ele estaria falhando com, pelos menos, 90% da Sua igreja. Se você é pobre, é atribuído à sua falta de fé. “Semeie aqui tudo o que tens, e Deus multiplicará”. Usam a passagem de Jesus falando com o jovem rico (Mt 19:21), mas diferentemente do que Jesus disse ao rico, não dizem para que dê aos pobres, mas que se entregue aos púlpitos.
Não sou contra dízimo e oferta, que isso fique claro, sou contra extorsão usando o Evangelho como arma para arrancar dinheiro suado do povo sofrido.

Outro dia me vem a notícia de que um famoso pregador comprou seu jatinho particular, sendo que alguns meses antes ele sequer tinha dinheiro para pagar seu programa televisivo. Após uma bela campanha, apoiada por um desses hereges milionários, o abençoado pregador já não reclama de dificuldades de pagar o programa, e além disso, como supra-citei, comprou seu jatinho particular. Diante disso, uma amiga minha, que não é cristã, se deu ao trabalho de calcular quantas famílias seriam mantidas com uma cesta básica por mês durante um ano, com esse dinheiro usado para comprar o jatinho. Pasmem-se, o número girava em torno de 5.000 famílias. Simplesmente, é um escândalo para o Evangelho de Cristo.

Mas ainda assim me vem à cabeça que “importa que haja entre nós heresias, para sejam revelados os sinceros”. Talvez não seja um bom texto, confesso, não é o meu forte. Talvez uma forma esdrúxula de externar minhas indignações. Me acostumei a ser apedrejado por minhas opiniões, mas concluo que, ainda que não seja um bom texto, ainda que seja esdrúxulo, o que me importa é que eu seja honesto.
Portanto, Sejamos Honestos…

Fonte: http://sejamoshonestos.blogspot.com/2010/02/que-os-sinceros-se-manifestem.html

Eu gostaria de levantar uma reflexão sobre o assunto, seja sobre a ênfase que muitos pregadores tem dado sobre a felicidade pessoal e estimulando o sonho de riquezas sem fim ou sobre os efeitos que isso tem causado ao evangelho como um todo e também qual é o nosso papel diante dessa propagação de inúmeras teologias (aí a conversa vai mais longe porque as ramificações são infinitas).

deixem seus comentários, rs

Que Deus abençoe
Lucas Lainetti

Razões – Porque pessoas não vão à Igreja

A parábola da bola

Os dez homens importantes sentados ao redor da bola discutiam acaloradamente:
– A bola é grená, disse um.
– Claro que não, a bola é bordô, retrucou outro em tom raivoso.

Todos estavam fascinados pela beleza da bola e tentavam discernir a cor da bola. Cada um apresentava seu argumento tentando convencer os demais, acreditando que sabia qual era a cor da bola. A bola, no centro da sala, calada sob um raio de sol que entrava pela janela, enchia a sala de uma luminosidade agradável que deixava o ambiente ainda mais aconchegante, exceto para aqueles dez homens importantes, que se ocupavam em defender seus pontos de vista.

– Você é cego?, ecoou pela sala gerando um silêncio que parecia ter sido combinado entre os outros nove homens importantes. Era até engraçado de observar a discussão – na verdade era trágico, mas parecia cômico. Todos os dez homens importantes usavam óculos escuros, cada um com uma lente diferente. Talvez por causa dos óculos pesados que usavam, um deles gritou “você é cego?”, pois pareciam mesmo cegos.

Depois do susto, a discussão recomeçou. O sujeito que acreditava que a bola era cor de vinho debatia com o que enxergava a bola alaranjada, mas um não ouvia o que o outro dizia, pois cada um usava o tempo em que o outro estava falando para pensar em novos argumentos para justificar sua verdade. Aos poucos, a discussão deixou de ser a respeito da cor da bola, e passou a ser uma troca de opiniões e afirmações contundentes a respeito das supostas cores da bola. A partir de um determinado momento que ninguém saberia dizer ao certo quando, os dez homens tiraram os olhos da bola e passaram a refutar uns ao outros. Em vez de sugestões do tipo: – A bola é vermelha, todos se precipitavam em listar razões porque a bola não era grená, nem cor de vinho, nem mesmo alaranjada.

De repente, alguém gritou: – Ei pessoal, onde está a bola? Todos pararam de falar – estavam todos falando ao mesmo tempo, e foi então que perceberam um alarido parecido com aquelas gargalhadas gostosas que as crianças dão quando sentem cócegas. Correram para a janela e viram uma criançada brincando com a bola, que parecia feliz sendo jogada de mão em mão. Ficaram enfurecidos com tamanho desrespeito com a bola. Ficaram também muito contrariados com a bola, que parecia tão feliz, mas não tiveram coragem de admitir, afinal, a bola, era a bola.

Lá fora, sem dar a mínima para os dez homens importantes, estavam as crianças brincando e se divertindo a valer com a bola que os dez homens importantes pensavam que era deles. E nenhuma das crianças sabia qual era a cor da bola.

Autor: Ed René Kivitz

Por que o justo sofre?

No âmago da mensagem do livro de Jó, acha-se a sabedoria que responde à questão a respeito de como Deus se envolve no problema do sofrimento humano. Em cada geração, surgem protestos, dizendo: “Se Deus é bom, não deveria haver dor, sofrimento e morte neste mundo”. Com este protesto contra as coisas ruins que acontecem a pessoas boas, tem havido tentativas de criar um meio de calcular o sofrimento, pelo qual se pressupõe que o limite da aflição de uma pessoa é diretamente proporcional ao grau de culpa que ela possui ou pecados que comete.

No livro de Jó, o personagem é descrito como um homem justo; de fato, o mais justo que havia em toda a terra. Mas Satanás afirma que esse homem é justo somente porque recebe bênçãos de Deus. Deus o cercou e o abençoou acima de todos os mortais; e, como resultado disso, Satanás acusa Jó de servir a Deus somente por causa da generosa compensação que recebe de seu Criador.

Da parte do Maligno, surge o desafio para que Deus remova a proteção e veja que Jó começará a amaldiçoá-Lo. À medida que a história se desenrola, os sofrimentos de Jó aumentam rapidamente, de mal a pior. Seus sofrimentos se tornam tão intensos, que ele se vê assentado em cinzas, amaldiçoando o dia de seu nascimento e clamando com dores incessantes. O seu sofrimento é tão profundo, que até sua esposa o aconselha a amaldiçoar a Deus, para que morresse e ficasse livre de sua agonia. Na continuação da história, desdobram-se os conselhos que os amigos de Jó lhe deram — Elifaz, Bildade e Zofar. O testemunho deles mostra quão vazia e superficial era a sua lealdade a Jó e quão presunçosos eles eram em presumir que o sofrimento indescritível de Jó tinha de fundamentar-se numa degeneração radical do seu caráter.

Eliú fez discursos que traziam consigo alguns elementos da sabedoria bíblica. Todavia, a sabedoria final encontrada neste livro não provém dos amigos de Jó, nem de Eliú, e sim do próprio Deus. Quando Jó exige uma resposta de Deus, Este lhe responde com esta repreensão: “Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Cinge, pois, os lombos como homem, pois eu te perguntarei, e tu me farás saber” (Jó 38.2, 3). O que resulta desta repreensão é o mais vigoroso questionamento já feito pelo Criador a um ser humano. A princípio, pode parecer que Deus estava pressionando Jó, visto que Ele diz: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (v. 4) Deus levanta uma pergunta após outra e, com suas perguntas, reitera a inferioridade e subordinação de Jó. Deus continua a fazer perguntas a respeito da habilidade de Jó em fazer coisas que lhe eram impossíveis, mas que Ele podia fazer. Por último, Jó confessa que isso era maravilhoso demais. Ele disse: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te vêem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (42.5-6).

Neste drama, é digno observar que Deus não fala diretamente a Jó. Ele não diz: “Jó, a razão por que você está sofrendo é esta ou aquela”. Pelo contrário, no mistério deste profundo sofrimento, Deus responde a Jó revelando-se a Si mesmo. Esta é a sabedoria que responde à questão do sofrimento — a resposta não é por que tenho de sofrer deste modo particular, nesta época e circunstância específicas, e sim em que repousa a minha esperança em meio ao sofrimento.

A resposta a essa questão provém claramente da sabedoria do livro de Jó: o temor do Senhor, o respeito e a reverência diante de Deus, é o princípio da sabedoria. Quando estamos desnorteados e confusos por coisas que não entendemos neste mundo, não devemos buscar respostas específicas para questões específicas, e sim buscar conhecer a Deus em sua santidade, em sua justiça e em sua misericórdia. Esta é a sabedoria de Deus que se acha no livro de Jó.

Autor: Robert Charles Sproul

 

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